segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Pátria Que Me Pariu

Uma prostituta chamada Brasil se esqueceu de tomar a pílula, e a barriga cresceu
Um bebê não estava nos planos dessa pobre meretriz de dezessete anos
Um aborto era uma fortuna e ela sem dinheiro
Teve que tentar fazer um aborto caseiro
Tomou remédio, tomou cachaça, tomou purgante
Mas a gravidez era cada vez mais flagrante
Aquele filho era pior que uma lombriga
E ela pediu prum mendigo esmurrar sua barriga
E a cada chute que levava o moleque revidava lá de dentro
Aprendeu a ser um feto violento
Um feto forte escapou da morte
Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte
Mais nove meses depois foi encontrado, com fome e com frio,
Abandonado num terreno baldio
Pátria que me pariu! Quem foi a pátria que me pariu!?
A criança é a cara dos pais mas não tem pai nem mãe
Então qual é a cara da criança?
A cara do perdão ou da vingança?
Será a cara do desespero ou da esperança?
Num futuro melhor, um emprego, um lar
Sinal vermelho, não da tempo prá sonhar
Vendendo bala, chiclete...
Num fecha o vidro que eu num sou pivete
Eu não vou virar ladrão se você me der um leite, um pão, um vídeo game e uma televisão
Uma chuteira e uma camisa do mengão
Pra eu jogar na seleção, que nem o Ronaldinho
Vou pra copa vou pra Europa...
Coitadinho! Acorda moleque! Cê num tem futuro!
Seu time não tem nada a perder
E o jogo é duro! Você não tem defesa, então ataca!
Pra não sair de maca
Chega de bancar o babaca!
Eu não aguento mais dar murro em ponta de faca
E tudo o que eu tenho é uma faca na mão
Agora eu quero o queijo. Cade?
To cansado de apanhar. Tá na hora de bater!
Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu!?
Mostra tua cara, moleque! Devia tá na escola
Mas tá cheirando cola, fumando um beck
Vendendo brizola e crack
Nunca joga bola mais tá sempre no ataque
Pistola na mão, moleque sangue bom
E melhor correr que lá vem o camburão
É matar ou morrer! São quatro contra um!
Eu me rendo! Bum! Clá! Clá! Bum! Bum! Bum!
Boi, boi, boi da cara preta pega essa criança com um tiro de escopeta
Calibre doze na cara do Brasil
Idade catorze estado civil morto
Demorou, mais a sua pátria mãe gentil conseguiu realizar o aborto.

Gabriel O Pensador

domingo, 3 de outubro de 2010

Winnie Mandela

           

       Todos conhecemos ou pelo menos ouvimos falar de Nelson Mandela...mas poucos sabem de  Winnie Mandela sua esposa, uma mulher de luta e força que estou aos poucos descobrindo e também me encantando...Convido todos a conhecê-la também. 



Tributo a Winnie Mandela


        Em sentido profundo pode-se chamar Winnie Mandela de a " Mãe do Povo Negro".  Não digo isso só por ser ela a mulher de um dos nosso líderes, mas também em razão do que ela se tornou. Tanto quando alcança a experiência humana, Winnie Mandela experimentou o que significa o sofrimento salvador. Ela sofreu pelo fato de sua vida representar a luta do homem negro pela justiça e pela liberdade. Através da história de sua vida podemos ler a de muitos outros. Ela é uma janela pela qual, de olhos turvos, se tem uma visão da existência dos banidos e dos presos. Ela era, e é, a encarnação do espírito negro. Os mortos têm algo em comum com os banidos e os presos: o Silêncio. E no entanto eles continuam a se comunicar conosco por meio do seu silêncio. Ninguém pode impedir os silenciados de continuarem a propagar sua força esperitual. Winnie Mandela foi condenada ao silêncio todos esses anos e, no entanto, ela nos transmitiu mais do que os discursos que teria podido pronunciar se não tivesse sido banida.        


            Bispo M. Buthelezi