segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Quem sou

              Ultimamente demoro um pouco a me reconhecer no espelho... Quem são vocês? Muitas vezes vejo mesmo que por relance o vulto e a sombra de outras vidas... Podemos coexistir pacificamente aqui dentro? Somos várias frações de tempo e experiência. Todos me acompanharam, somos dependentes um do outro, a popularidade de um muitas vezes significa o antagonismo de outro, o bom jovem, que sentia cheiro de rosas e cantava ao som agradável do violão, acompanhou outros instrumentos e outras vozes, que, assim como ele buscava servir com seu cantar e tocar, ele cantou também em sacramentos e  não muito tempo depois restringiu-se a cantar apenas uma “canção inefável e impetuosa”, mas o jovem discípulo, conheceu a “luta e liberdade” e se encantou por elas, não mais ajoelhou-se, agora sentava-se ao lado, comia da mesma mesa, sentia orgulho em partilhar a vida e o pão com todos, se sentiu bem, muito tempo se passou com uma dualidade grande, o inefável e a liberdade, como se portar? Como suportar? Aos poucos fui deixando de lado, adormecidas e busquei conforto na prática de exercícios, o que foi extraordinário, pois, me encontrei novamente com a autoestima e me senti feliz, mas isso também está passando, me vejo desesperado deixando-a escapar de minhas mãos. Sinto falta dos meus, do que me é semelhante. No momento sinto falta da juventude de outrora... Quantos mais de mim podem existir? Nascer? Morrer... Tenho saudades do simples cheiro de rosas, do jovem despojado do ridículo e da seriedade, do salmista que descobriu sua própria voz, ao lado de outros jovens, uma vez mais queria só me ajoelhar e agradecer, novamente queria sonhar com uma melodia e sincronia instrumental perfeita e só cantar por aí, mas uma vez queria poder entoar sons inefáveis e inflamados de paz e serenidade, desejaria mais uma  vez romper com a inquestionável obediência sega do patriarcado, queria eu me sentir livre e experimentar a liberdade e coerência, mas uma outra vez queria sentir o vento sereno em meu rosto, o calor forte no meu corpo e o asfalto duro é escaldantes sobre meus pés sei que todos vivem e habitam o meu corpo. Sinto vontade de chorar, mas não sei se consigo ou posso, gosto de pensar que logo estarei descobrindo um novo ser, mas uma pessoa diferente para fazer parte do panteão de demônios e fantasmas que moram em mim... E talvez, o mais importante: sinto saudades de pessoas que me ajudavam domar todos esses monstros e personas. Onde estão todos? Lutando com os mesmos questionamentos que eu?    Li em algum lugar que somos prisioneiros de nossas escolhas e experiências. E quem sabe algum dia toda essa mente multifacetada, se funda em uma só e conviveremos em paz.               

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